Em primeiro treino, Argel cobra Valdívia: “Perdeu o colete? Esqueceu na internet?”

Novo técnico, novos trabalhos, novo ambiente. O primeiro treino de Argel Fucks no comando do Inter, nesta sexta-feira, teve todos os aspectos de novidade. Nada mais do aquecimento com futevôlei: voltou a tradicional roda de bobinho e os piques sem bola, tudo sob bom humor do grupo de jogadores. Depois, foi a vez de o treinador montar sua primeira ideia de time — com uma dúvida sobre qual será a escalação contra o Cruzeiro, neste domingo, no Mineirão.

Argel escalou duas equipes de 11 jogadores na linha em campo reduzido, sem goleiros, em que os atletas podiam dar apenas dois toques na bola por vez. Além disso, também havia um jogador de colete diferente, servindo como “curinga”, atuando pelas duas equipes.

A equipe de coletes amarelos teve William, Ernando, Juan e Geferson; Dourado, Nico Freitas, Nilton e Valdívia; Sasha, Vitinho e Rafael Moura. Depois, Argel comandou um treino de posicionamento de defesa e ataque. O time titular para o jogo em Belo Horizonte sairá daí. Na sua apresentação, no Beira-Rio, o treinador afirmou que pode jogar com três volantes, dependendo da situação. Com isso, a dúvida na escalação fica entre Nico Freitas e Vitinho.

O principal aspecto do trabalho de Argel foi a cobrança. O treino foi puxado, com os jogadores tendo pouco tempo para descansar. Em alguns momentos, os jogadores tiveram de fazer abdominais durante as interrupções. A cobrança também foi forte com os jogadores, principalmente Valdívia: além dos pedidos para o meia tocar a bola e se apresentar, o técnico brincou com ele durante a preparação.

— Perdeu o colete, Valdívia? Esqueceu na internet? — disse o técnico.

Definitivamente, são novos tempos no Inter.

ZH
Francisco Luz

O perfil de Argel, novo técnico do Inter

Um técnico com profundo conhecimento tático e uma série de discussões com jogadores e imprensa. Assim jornalistas que cobriram passagens de Argel Fucks por seus clubes anteriores descrevem o novo técnico do Inter. Zero Hora conversou com Marcos Castiel, Daniel Angeli e Erick Mattos, que tratam o treinador como um profissional explosivo, mas competente — as comparações, em termos de perfil, são com Celso Roth e Lisca.

Explosivo e estudioso: o perfil de Argel, novo técnico do Inter Luiz Henrique/Figueirense Futebol Clube

Marcos Castiel, editor de esportes do Diário Catarinense
O Argel passou por quase todos os grandes clubes de Santa Catarina, só faltou a Chapecoense. Até chegar ao Figueirense nessa última passagem, ele era conhecido como um técnico para reerguer time. Sempre teve passagens marcadas pela personalidade forte e pelo desgaste com os jogadores a curto prazo, estilo Celso Roth. Colocava uma pilha, ajeitava o time e, depois, não aguentava a bronca porque os jogadores ficavam tensos. Mas o Argel evoluiu muito do ponto de vista psicológico. Mudou justamente o comportamento, ele passou a ser um cara mais conciliador. É polêmico, as entrevistas são sempre pegadas, não tem pergunta sem resposta, e normalmente não é convencional. É um excelente técnico do ponto de vista tático. É um cara que revela muitos jogadores. O time do Figueirense chegou a oito jogadores revelados pelo clube.

Daniel Angeli, editor de esportes do Pioneiro
O Argel teve duas passagens pelo Caxias no começo de carreira, era meio “pancadão”. Mas o trabalho dele é muito bom. A torcida gostava bastante dele. Ele trabalha bem, consegue ficar com o grupo na mão como ex-boleiro. Ele gosta de trabalhar com jogadores jovens. É um bom técnico, a parte tática é uma das principais características. Ele até lembra o Lisca. É explosivo, mas é estudioso. Aqui no Caxias, ele falava bastante que gostaria de treinar o Inter, que o sonho dele era trabalhar no Inter.

Erick Mattos, do EQ Sports News
Ele é, no trato com os jogadores, estilo Celso Roth. Taticamente, ele é bom, treina bem o time. O convívio com a imprensa, inicialmente, é bom. Depois, depende dos resultados. É mais ou menos a relação que o Roth está tendo com a imprensa do Rio. Se estiver ganhando, está tudo certo. Se perder, complica. Mas ele sabe armar um time, não joga o time todo para frente, nem retranca quando está ganhando. Na Portuguesa, ele teve problemas de relacionamento com alguns jogadores, como Gabriel Xavier, Rondinelly e Willian Magrão. Pelo que ele fez na Portuguesa, pode dar certo no Inter. Vendo de fora, o Inter precisa de um cara assim, no perfil do Argel, com um pulso firme.

ZH